Meia noite e quarenta. O dia é aquele mesmo do ano passado, em que você soprou velinhas e percebeu que o tempo passa rápido. Rápido mesmo. Tanto que o inverno se foi, estações se passaram, e eis ele aí novamente. Mais um ano se passou, e aqui está você, prestes a soprar velinhas novamente.
Eu tenho prova daqui algumas horas. É a última do semestre, mas ainda assim, caiu no dia do meu aniversário. E não, eu ainda não estudei. Pretendo. Vou. Mas antes de tudo, decidi vir aqui escrever algumas coisas. Afinal, não dá pra passar o dia em branco, como se fosse um dia qualquer. Se há uma coisa que eu aprendi com minha mãe é que os aniversários são importantes; cada idade é uma época que não volta atrás, nunca. (Talvez seja isso que a mal-amada Termodinâmica quer dizer com 'A Vida acontece em um sentido determinado.') E bem, eu concordo. Com minha mãe, quero dizer. Portanto, comemoremos! Que nossos aniversários sejam dias vividos; que busquemos fazer coisas novas e diferentes.
Agora, uma opinião pessoal: uma das coisas que eu detesto da idade são os rótulos que cada uma delas nos impõe. Não pela própria idade, afinal ela é um mero conceito; não são os números ou dígitos que dizem o que você é. Ou pelo menos, não esses. Seria fascinante se não fosse absurdamente ridículo notar como crescer e 'adultecer' é, pra uma grande maioria, estupidificar-se. Tornamo-nos os estúpidos que pensávamos que os outros eram quando crianças, sem perceber. Tornamo-nos reféns do pensamento público, condicionamos nossas atitudes e ações com aquilo que é esperado de nós, ou com o que pensamos ser. Tem coisa mais ridícula do que isso? Dizem que o grande legado dos romanos para a humanidade foi o Direito. Pois eu digo que o Direito poderia muito bem ir à merda. Uma sociedade em que nossas ações são comparadas com às de um 'homem médio'? Patético.
Mas como bem me lembra 'Life of Brian', os romanos trouxeram sim muitas contribuições à nós. Quanto ao Direito, bem, acho que foi uma hipérbole um pouco exagerada. Mas também não vou ser eu que vou rebocá-lo lá do mangue. Enfim. O que eu quero dizer com todas essas idéias embaralhadas e desconexas é que aniversários são dias legais, pelo menos pra mim. Porque nesses dias posso ser louco, maluco, pirado, apaixonado, cientista, astronauta, poeta e palhaço - tudo ao mesmo tempo. A data nos confere um álibi de segurança, uma justificativa pra sair por aí dando cambalhotas na grama. Andar de bicicleta sem as mãos é muito gostoso, mas o medo da queda é que nos impede muitas vezes de tentar. Nos impede de cantar, gritar, agir. Nos impede de ser. De viver. Psicologizando (sem nenhum embasamento científico), o ser humano só cresce quando sai da sua zona de conforto. São os medos, porém, que nos prendem em cada ciclo, em que ficamos andando em círculos, orbitando em volta de nossos receios. Sem saber, ficamos presos como bananas num cacho.
Aniversário é pra mim, portanto, um dia de louvor à Loucura. E quando digo Loucura, espero que entendam que não me refiro à insanidade, à falta de juízo, à incapacidade de discernimento. Pra mim, Loucura é a pluridade que tantas vezes esquecemos. O mundo é o que é, não vou negar isso. Mas pode ser visto de outras maneiras. Assim como a Terra é uma esfera, nossas personalidades e tudo aquilo que nos envolve também são esféricas: têm volume, e nunca consegue-se enxergar sua totalidade. Então, enxerguemos de um jeito diferente! Mudemos de abordagem, de atitude, de consciência. Vejamos o lado transcendentalmente louco da Arte e a forma genial como ela está presente em nossas vidas. O que são os estereótipos e preconceitos senão distorções negativas da realidade? Mude os óculos, troque as lentes, solte as mãos do guidão; liberte-se. É o que desejo que eu, tu, ele e ela e todos os demais pronomes de nossa sociedade consigamos cumprir, neste meu vigésimo primeiro inverno de vida.

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