Para o leitor prático, este post é sobre o livro White Oleander, de Janet Fitch. Como eu tendo a escrever introduções enormes e não muito importantes pro senso coletivo, podem pular lá pra baixo, onde está o negrito, pra ler sobre o livro.
Nada como uns bons dias de descanso pra reacender vigorosamente o prazer pela leitura. Ontem retomei uma leitura antiga, White Oleander, de Janet Fitch. E agora estou tentando decidir o que ler a seguir. Quem sabe eu comece algum dos clássicos da Literatura, sorteando aleatoriamente um dos títulos da lista de melhores livros, feita pela revista Bravo!. Ou alguma obra hype bastantemente desvalorizada de humor ácido e suficientemente crítico acerca da humanidade, ao estilo Douglas Adams. Posso também optar pelo entretenimento mágico e ler o último livro da septologia Harry Potter. Milan Kundera, J.D. Salinger, A. Schopenhauer e Edgar Allan Poe também estão no páreo.
Mas voltemos a falar sobre White Oleander. Conheci primeiramente a obra como filme, pesquisando na internet os títulos que estavam para estrear lá nos cinemas dos Estados Unidos, naquele começo de verão de 2002. Fui atraído primeiramente pela presença da Alison Lohman no elenco, por quem eu tinha certa admiração pela participação no seriado Pasadena, da Sony. O título também era interessante, mas na época eu nem imaginava o que representava. Fiquei então esperando o filme ser exibido nas telonas daqui. E quem disse que foi?
Consegui assistir o filme só dois anos depois (e ele tinha ganhado a péssima tradução de "Deixa-me Viver", ou algo do tipo), comprando-o pra assistir no pay-per-view na casa do meu avô - sem ele saber, é claro. E foi um soco na boca do estômago. Quase não consegui dormir de tão perturbado que fiquei por causa do enredo, e do poder de destruição fantástico e extraordinário das personagens.
as mulheres que tudo podem em White Oleander.
E aí, mais dois anos depois, em 2006, em uma visita ao sebo de sempre (estava procurando alguns livros do Sidney Sheldon que faltam na minha coleção), encontrei o livro que deu origem ao longa. Tinha pouco dinheiro no bolso, então não comprei na hora. Mas assim que comprei, voltei pra casa e comecei a ler desenfreadamente. Quase terminei naquele ano e mês mesmo. Acho que não o fiz por apego, por querer alongar a leitura por mais um pouquinho. Deixei o livro de lado - quase esquecido -, e fui retomá-lo só agora, mais um biênio depois.
Enfim, chega de contextualização. White Oleander trata da relação de maternidade durante momentos complicados da vida da família Magnussen, que se resume à mãe, Ingrid, e à filha, Astrid. A bela Ingrid se apaixona por um tipo um tanto quanto comum e sem graça (o nome não é tão importante), o qual de início declarava desprezar. E acaba, olhem só, algum tempo depois, rejeitada. Irritada e perturbada pela humilhação, a poetisa decide matar aquele que a rejeitou. E envenena-o com uma poção preparada com a White Oleander, planta venenosa e que produz belas flores brancas (no filme, Michelle Pfeiffer mata-o de uma forma bem menos poética - a pauladas).
Logo a polícia descobre o crime, e Ingrid é levada, julgada e presa. E aí começa a trajetória da ainda menina/pré-adolescente Astrid pelas casas de pais adotivos na sórdida Los Angeles, Califórnia. Começa então a sua viagem de aprendizado sobre o mundo, a luta pela sobrevivência; sobre fé, religião e outros questionamentos morais; sobre homens, mulheres e sexo; sobre si e sua identidade. E as duas esperas constantes de sua vida: a de sua mãe agora presa, e que sempre viveu sua vida de modo boêmio e para si mesma, e a de seu pai, sobre quem ela não tem muitas pistas.
A obra é deliciosamente cheia de detalhes e metáforas irônicas e bem cunhadas, a autora explora muito bem a intimidade de suas personagens. É uma obra feminina, sobre o universo feminino e o jeito singular de uma menina tornar-se mulher. Não é, porém, de forma alguma um livro somente para as leitoras. Foi pra mim fascinante ler e poder entrar dentro dos pensamentos dessas mulheres tão atraentes pela força de espírito e emocional. O livro tem ritmo, tem cadência, e é igualmente fascinante poder acompanhar o crescimento de Astrid e suas fases. Da inocência à irreverência; do arquétipo de menina de vestido rendado e chapéu europeu à mulher estilo industrial-punk, de cabelo tingido e roupas de couro.
Eu poderia me aprofundar mais minha análise da trama, citar o amadurecimento artístico e emocional de Astrid com o passar dos anos, as dificuldades em cada um dos lares peculiares em que ela é alocada, o conflito entre mãe e filha pela constante imposição de vontades e crenças da primeira sobre a segunda, com o egocentrismo de Ingrid como agravante. Mas certamente algo acabaria ficando de fora, haja visto a densidade das palavras da autora e as inúmeras temáticas pelas quais a obra se extende. Então paro por aqui. Ou melhor, deixo-os com algumas citações interessantes do livro.
por um punhado de reais.
"God is dead, haven't you heard, he died a hundred years ago, gave out from sheer lack of interest, decided to play golf instead."
"We tried not to be in the same room at the same time when Starr was home, we set the air on fire between us."
"Loniless is the human condition. Get used to it."
"You can't shape me anymore. I am uncontrolled element, the random act, I am forward movement in time."

[isto é bom]
uhhhh adorei a foto. seus comments, parecem ser de outro mundo, pq falam de coisas q nao permeiam minha realidade.
mas, apesar de nao entender nada e ficar imaginando qdo é q vou ter acesso ao seu mundinho cultural, a leitura é fácil e agradavel. me lembra vc falando!
a foto entaum, nem preciso comentar, mas vou comentar.. rs
a foto me lembra essas mto bem feitas, melhor, ultra melhor q as de banco de imagem. aquelas q dão a incrível sensação do "I'm home and not alone: I'm with ma special book"...
as citações sao otimas. vou lembrar da penultima.
a primeira, eu sempre digo pras pessoas. se ele existiu, mesmo assim ja morreu faz tpo.. rs =)
well c ya. ve se vai no social ein menino! =)
e mande noticias do vest!
Posted by: ck n | 02/28/2008 at 08:19 AM