Pois bem, depois de uma semana inteira de muito trabalho e dindin acumulado, eis que hoje e amanhã são minhas folgas, e estou de partida para Tokyo. Rumo à capital!
Pequeno itinerário:
Tokyo again, dessa vez sozinho! Dá-lhe aventura! Tentarei colocar algumas fotos aqui depois. ;D
Ultimamente o que me mantém de pé pra trabalhar é esse desafio de conhecer os limites do meu próprio corpo e mente. Qual foi o máximo de tempo que você já ficou acordado? O máximo de tempo de pé? Trabalhando?
Como estou trabalhando de noite (já tinha comentado isso no blog? não lembro mais. não lembro nem que dia da semana é hoje direito!), no chamado yakin, entrei ontem às 20h, e trabalhei hoje até às 10h. E pra terminar o trabalho 'a tempo', ainda tivemos de abdicar do intervalo de meia-hora, previsto por lei. Some-se isso ao fato de isso não ter sido uma exceção, mas uma regra desde o último domingo, quando comecei o yakin. E você acha que isso é trabalho demais? Pois bem, a próxima semana será ainda mais pesada, devido ao Valentine's Day que se aproxima.
O físico já foi pro espaço, o que mantém de pé é o mental. Nada como chegar em casa cansado como o diabo, mas com o alívio de ter juntado mais quinhentos reais pro próximo holerith. Enfim, é só. Yuzzo ganancioso desligando para ir dormir! :D
A crise econômica mundial afetou o Japão de maneira arrebatadora. Aí do Brasil, por mais que se tenha acesso às notícias sobre o país de onde escrevo, não dá pra se ter noção do quão grande foi o impacto na indústria japonesa. Os setores automobilístico e de eletrônicos, com produção fortemente direcionada para exportação, foram os mais afetados - fábricas de marcas fortíssimas como Sony, Fujitsu e Toyota foram fechadas, e seus funcionários, despedidos. No Japão inteiro, estima-se que existam mais de um milhão e meio de desempregados, dentre esses, quase cem mil brasileiros. Números (negativamente) históricos. São tantos os desempregados que, do pessoal que veio de arubaito, praticamente todos têm algum parente ou conhecido que está na rua, sobrevivendo do seguro-desemprego. E os que ainda não foram, ou estão em vias de, vivendo a tênue linha do kubi, ou já estão arrumando as malas para voltar para o Brasil. E como não podia deixar de ser, também eu tenho um parente que vive esse drama de conseguir sobreviver em terras estrangeiras. Só pra se ter uma idéia da gravidade da situação, atualmente os contratos que os dekasseguis estão fazendo com as fábricas são de um mês!
Assustador, não? Mas apesar de tudo isso, o mês que se passou foi bom para mim, e consegui fazer umas boas horas extras. Trabalhei os 22 dias que nos foram prometidos, e consegui fazer um total de 38 horas extras. Excelente pra quem estava em dúvida se ia conseguir fazer uma hora por dia ou não. Ainda sobre o trabalho, hoje fui chamado para trabalhar de yakin, no período noturno. Pelo que falaram, seria diariamente das 20h às 8h, o que já garante um bom punhado de ienes a mais no holerith, e uma segurança maior para poder fazer as compras e garantir a viagem do final do baito. O contra é não aproveitar o tempo com o resto do pessoal. Mas bem, não nos preocupemos com antecedência. Amanhã começa! Veremos até onde eu aguento.
Traduzindo toscamente, "Deixe os filhos amados conhecerem o mundo", um ditado japonês (kotowaza) que aprendi hoje com a minha sensei. Sensei? Sim, estou fazendo aulas de japonês! Comecei na semana passada, e estou fazendo duas vezes por semana, na quarta e na quinta-feira, e tem sido fantástico mergulhar no mundo da língua e cultura japonesa.
Nas quartas, que normalmente são meus dias de folga, faço aula na casa da Motizuki-sensei. A casa dela fica longe de onde estou morando, mas felizmente uma outra professora, a Iwanami-sensei, sempre me leva de carro até lá, e no caminho sempre vamos conversando sobre várias coisas, e só o fato de conseguir estabelecer um diálogo em nihongo já é incrível. Porém as coisas ainda melhoram quando entramos na casa da Motizuki-sensei, que é simplesmente a melhor professora de toda Yamanashi, pois a casa dela é tipicamente japonesa, tradicional, e só de estar lá já é uma grande lição sobre a cultura desse país fantástico em que estou morando. Não só as aulas de japonês, e as palavras novas que aprendo, mas também as conversas durante o chá da tarde, e as lições sobre os costumes e as boas maneiras dos japoneses, é realmente uma total imersão em um mundo do qual não dá vontade de sair jamais.
Nas quintas, tenho aula no Kouminkan (Hall da Comunidade) local, e é praticamente uma aula particular, com o Akiyama-sensei. A aula é bastante descontraída, e ele é bem paciente para explicar as coisas, por isso me sinto à vontade de perguntar e aprendo muito
E o melhor de tudo isso é que as aulas são baratas! Baratíssimas, um preço absurdamente baixo pelo que se ganha. Isso porque os professores são todos voluntários, e cobram apenas pra cobrir os custos da associação da qual a Motizuki-sensei é presidente. Realmente, desde que cheguei no Japão, tenho tido muita sorte, e conhecido pessoas que tem me ajudado muito, e que espero que ainda fiquem muito tempo junto comigo!
Valeu a todos! Agora vou dormir, porque amanhã é 'dia de branco'.
(trocadilho tosco só pra avisar que sim, agora temos internet em casa!)
Então! Depois de quase um mês e meio aqui no Japão, eis que as coisas começam a se acertar, e começo a me ambientar à região. O nosso apartamento, que de início era desprezível (e desprezado também) em termos de conforto e equipamentos, agora é praticamente o centro de Kokubo! Dá-lhe Gran Apato Folia! Garanta já sua mascara (ops, abadá!). Okay, piadinhas internas à parte, vai aí abaixo o meu endereço para aqueles poucos que lêem este blog e eventualmente podem ficar com vontade de me escrever, naquele domingão de sol de rachar do Brasil (o que é pouquíssimo provável, eu sei). Enfim, aí vai:
テ 409-3864
Japan Yamanashi-ken Nakakoma-gun Showa-cho
Kamisukiahara 2352
Koopo Komiyama 201-B
Por hoje fico aqui. Para aqueles que quiserem número do celular e/ou outros contatos, me mandem por email que eu respondo assim que puder. Escrevi pouco, eu sei. Mas agora são 1h23, e preciso acordar às seis, pra tomar café da manhã, preparar o bentô, pegar o sougei (lê-se 'sou gay', haha. mas depois de quase dois meses a piadinha perde a graça, acreditem), que nada mais é o busão pra ir pro trampo às sete, e começar a trampar às oito. Enfim, a rotina de um arubaito (membro da diretoria, é claro!) Mais piadinhas internas? Hora de ir então. Abraços e até mais! Otsukare-sama deshita~
A ideia era escrever algumas vezes por semana aqui sobre a vida no Japao, mas como estou sem internet em casa, e a lan house e longe de casa (e tambem, nao e barata), vou escrever bem esporadicamente. Fica aqui, ja antecipadamente, o Feliz Natal (Meri Kurisumasu!) e Feliz Ano Novo (Shin nen omedetou!), porque nao sei se irei atualizar ate la. Provavelmente estarei trabalhando. Mas calma, nao estou reclamando nao! Ate agora, tudo tem sido otimo aqui, as pessoas, o clima, o trabalho, os lugares, as aventuras. Entao, curtam por mim ai no Brasil e me contem como foi depois, pessoal!
Originalmente escrito (com acentos) as 09h38` do dia 11/12/08
Entao, eis que ja e o terceiro dia em que estou aqui no Japao. Um belo dia por sinal, com sol, ceu azul e temperatura agradavel. Nesses tres dias ja fomos levados para nossos respectivos apatos, e o meu estou dividindo com mais tres outros arubaitos. Dois deles inclusive ja vieram aqui trabalhar antes na mesma fabrica onde eu irei trabalhar, entao sao de grande ajuda pra quase tudo. Ja conheci e conversei com grande parte do pessoal, sao todos bem gente boa. Nessas situacoes fica bem facil se aproximar. Interessante como estar no exterior aproxima as pessoas conterraneas. Ja joguei truco, bebi cerveja (Asahi Super Dry, 3/5), arranhei o nihongo, me perdi e fiz mais muitas outras coisas com o pessoal, so nesses dias! Bom e que o meu nihongo tem sido efetivo! Consegui ir nas lojas, fazer pedidos, pegar indicacoes de caminho... Acho que ate o final da viagem vou estar falando bem, se continuar assim!
Sobre o trampo, aqui em Kofu ha duas fabricas da Chateraise (Chatou, pros mais intimos), empresa onde irei trabalhar: Nakamichi e Toyotomi. Eu irei trabalhar na segunda, que teoricamente e menos rigida/severa. Vou trabalhar ou fazendo chocolates ou bolos. Hoje provavelmente vamos tirar o Gaijin Touroku, e amanha ja comecamos a trabalhar! Por enquanto, ta tudo otimo. So far, so good.
Entao, pessoal. Nao se preocupem porque estou bem, cheguei bem de viagem. Foi cansativo mas chegamos sem problemas. Para aqueles que quiserem, depois eu posto meu endereco. Por enquanto e so! Logo mais, quando eu tiver uma folga, escrevo com mais calma. ;D
Ah, férias. Nada tão prazeroso como poder passar horas fazendo aquilo que a gente sempre desejou: fazer nada. Ou então ter tempo pra se dedicar àquelas coisas que a rotina cotidiana nos impede, como ler um bom livro, assistir todos os seriados da programação vespertina, limpar o umbigo direito e fazer aquela revolução no armário.
E eis aí o resultado de uma madrugada inteira de arrumação e bota-fora:
Há coisas que a gente só faz por causa do significado que imaginamos que fazer aquilo tem. De fato, uma porção de coisas. Sem perceber, vive-se por metáforas. Pensamentos que ganham forma e transformam-se em gestos, práticas. Ações, saem do campo das idéias para ocupar espaço físico ou real, como queiram chamar. Escrever, por exemplo, é uma grande metáfora. Ainda mais quando se escreve sobre filosofia. Ou quando se pensa escrever sobre esse assunto.
Enfim. Pulando os pensamentos não conexos, vou aqui emendando mais um post, ainda sobre o tema aniversário. Neste ano, decidi que ia tentar fazer coisas que nunca tinha feito antes, no dia do meu aniversário. E sabem, há muitas coisas que se pode fazer em um dia.
A primeira das coisas da minha lista era passar as 24h do dia 25 de Junho acordado. Bem, não consegui completamente, acabei dando uma cochilada. Mas uma cochilada bem gostosa e merecida, pelo menos. Depois de passar a madrugada inteira estudando para a última prova do semestre, cochilar na rede de casa, com direito a boa música nos fones de ouvido e uma coberta pra abrigar do frio, e um bom livro pra ler. Mas essa foi só uma das coisas. Em um dia, há tanto que se pode fazer.
Estudei durante a madrugada, mas com algumas pausas pra assistir alguns seriados legais. E com a grata surpresa de conseguir conversar com a namorada, que apesar de estar do outro lado do mundo, sinto mais próxima do que qualquer outra pessoa. Fiz a prova, esforcei-me até o último momento. Comprei doces na feirinha, ganhei um brinde por causa da data. Tive reunião, decidi detalhes de um dos projetos em que estou envolvido no momento. Voltei para casa, brinquei com o Thor, descansei na rede. Levantei-me, estirei-me no sofá, assisti a um jogo de bom futebol. Mudei de casa. Tomei banho. Fui jantar com amigos em um restaurante japonês, comi seis ou sete pratos de sushi, gyoza, yakisoba e yakisakana, entre outros pratos orientais. Sem contar os ocha e misoshiru. Voltei pra casa. Cansado, depois de um dia cheio. Mas com um sorriso no rosto, por ter aproveitado o dia ao máximo.
Não seria ótimo se a gente vivesse todos os dias assim? Valorizando cada dia que se passa, e o próximo que vem chegando? Não seria o certo procurarmos fazer coisas novas todos os dias? Procurar os pequenos prazeres da vida, encontrar nos detalhes a satisfação e o equilíbrio? Makes me wonder.

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